terça-feira, 5 de agosto de 2025

Rasgada

Ainda tento perceber

A causa deste abandono

Foi mesmo abandono?

As almas gémeas 

Nunca se separam

Mas esta ruptura rasga

Dilacera, rompe fundo

Volta para mim

Junta os meus retalhos.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Valsa

Sê quem tu quiseres ser

E se não quiseres

Não sejas


Se o Mundo gira

Fá-lo tu também

Numa solitária valsa


Tudo acaba depressa demais

Aproveita a tua valsa

Essa não termina nunca

terça-feira, 1 de julho de 2025

Descarte

Só me deixaste neste

Amargo redondo

Descarte insensível

Transtorno cismado

Comoção impetuosa


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Insónia

Tiras-me o sono!

Quem és tu para vires

profanar o meu sossego?


Congito e persisto

em idealizar

o encontro perfeito.


Mas isso não existe

Como tu não podes existir

Apesar de já estares em mim!


Quero aquietar-me

Manter a serenidade

Mas tu és tumulto e desordem.

domingo, 22 de junho de 2025

Perturbação

Sempre nesta permanente guerrilha interior

Uma purga de sentimentos abstratos

que sempre provocam agitação

incompreensão própria.


Nunca há catarse que resulte

Quero o que não tenho

Tenho o que não quero

Vivo em beco sem saída.


É o desamparo que me ampara

É o desânimo que me anima

É a incerteza que me incita

É a inação que me move.


Sou genuína a depurar

A confusão, o desvario,

Sem resultados reais

Nesta perturbação derradeira.


sábado, 21 de junho de 2025

Gemas azuis

Duas preciosidades

Tal qual rubis

as minhas favoritas

foi o que primeiro senti.


Seriam esmeraldas,

ou talvez safiras

mas sempre que me olhavam

o meu peito acelerava.


Foram essas gemas 

que me atraiçoaram 

Deitaram por terra

as poucas certezas que tinha.