Deitada no chão do quarto,
não conseguia suportar tanta dor,
a física nem a sentia,
mas era a alma que me doia.
Já estivera tantas vezes deitada,
na sala, na cozinha, na casa toda,
mas desta vez pensei pra mim mesma,
que haveria de ser a última.
Das outras vezes, escondi,
senti vergonha, humilhação,
devia ser eu a culpada,
por voltar a ser espancada.
Neste dia percebi que não.
Não há culpa ou justificação,
para uma violência destas,
para um sofrimento assim.
"Foi a última vez que me tocaste",
disse para mim mesma.
Levantei-me do chão quente,
lavei e vesti o corpo frio e dormente.
Saí de casa naquele dia,
para começar uma vida nova,
escondida, amedrontada, apavorada,
com medo de ser encontrada.
Assim passo os meus dias,
sem saber como resistir a esta dor profunda,
não sei se isto é vida,
não sei o dia de amanhã!
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