Frágil e magra saí à rua,
mantinha ainda uma réstia de esperança,
de que juntos podiamos mudar nossos destinos.
A vida somos nós que construímos,
mas na realidade, é ela que nos conduz e molda
naquilo que somos e nos tornamos.
Mas neste dia, o sonho falou mais alto,
a união faz a força, e juntos tinhamos esperança
de mudar as nossas rotas e o rumo do País.
O meu rumo havia sido traçado meses antes,
a fome que passara e os pulmões debilitados,
pareciam querer marcar-me o futuro.
Mas eu nascera com uma estrela,
uma luz que brilha e transborda,
apenas dentro de alguns iluminados.
Por isso saí e juntei-me aos demais,
o Regime ia cair, e nós eramos a força,
a engrenagem da esperança.
Corri o que pude, ri o que consegui,
beijei os que alcancei, abracei multidões,
saudei todos que se aproximaram.
Mas ainda havia armas de reaccionários,
que tentavam demover a força do Povo,
mas este, quando quer, é Soberano e diz BASTA!
E assim se mudou o destino de todos,
naquele dia a liberdade floresceu,
os sorrisos voltaram aos rostos dantes frios.
E eu também me libertei quando uma bala
me trespassou o peito.
Morri, mas morri em Liberdade!
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