Ainda tento perceber
A causa deste abandono
Foi mesmo abandono?
As almas gémeas
Nunca se separam
Mas esta ruptura rasga
Dilacera, rompe fundo
Volta para mim
Junta os meus retalhos.
A escrita expressa as verdadeiras palavras soterradas dentro de um coração.
Ainda tento perceber
A causa deste abandono
Foi mesmo abandono?
As almas gémeas
Nunca se separam
Mas esta ruptura rasga
Dilacera, rompe fundo
Volta para mim
Junta os meus retalhos.
Sê quem tu quiseres ser
E se não quiseres
Não sejas
Se o Mundo gira
Fá-lo tu também
Numa solitária valsa
Tudo acaba depressa demais
Aproveita a tua valsa
Essa não termina nunca
Tiras-me o sono!
Quem és tu para vires
profanar o meu sossego?
Congito e persisto
em idealizar
o encontro perfeito.
Mas isso não existe
Como tu não podes existir
Apesar de já estares em mim!
Quero aquietar-me
Manter a serenidade
Mas tu és tumulto e desordem.
Sempre nesta permanente guerrilha interior
Uma purga de sentimentos abstratos
que sempre provocam agitação
incompreensão própria.
Nunca há catarse que resulte
Quero o que não tenho
Tenho o que não quero
Vivo em beco sem saída.
É o desamparo que me ampara
É o desânimo que me anima
É a incerteza que me incita
É a inação que me move.
Sou genuína a depurar
A confusão, o desvario,
Sem resultados reais
Nesta perturbação derradeira.
Duas preciosidades
Tal qual rubis
as minhas favoritas
foi o que primeiro senti.
Seriam esmeraldas,
ou talvez safiras
mas sempre que me olhavam
o meu peito acelerava.
Foram essas gemas
que me atraiçoaram
Deitaram por terra
as poucas certezas que tinha.
Sou caderno já amarelecido
Tão escrito e riscado a caneta
Onde há páginas a lápis
Semi apagadas pela borracha do tempo
Com flores secas entre estórias
Onde entra uma nova flor
Apanhada de surpresa